Pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, desenvolveram um medicamento que evita a formação de cicatrizes depois de cirurgias. Feito à base da substância Avotermina, o medicamento deve ser injetada na pele antes e depois do corte cirúrgico.
Os cientistas explicam que a Avotermina, testada com sucesso em mais de 200 voluntários, estimula a ação de uma molécula que faz o colágeno – proteína fundamental na união e fortalecimento dos tecidos– ser mais eficiente durante o processo de cicatrização.
Nos testes, foram feitas incisões de um centímetro nos dois braços dos voluntários. Um dos cortes recebeu duas injeções de Avotermina, com intervalo de 24 horas. O outro corte recebeu apenas um placebo.
Médicos, que desconheciam em que braço a Avotermina havia sido aplicada, conseguiram identificara o braço que recebeu o medicamento ao observarem diferenças na densidade, orientação e espessura das fibras de colágeno.
O coordenador do estudo da empresa de biotecnologia Renovo, Mark Ferguson, diz que a Avotermina tem potencial para se tornar um medicamento eficiente para evitar as cicatrizes protuberantes.
O pesquisador alerta, numa entrevista à BBC, que o tratamento só é eficaz quando a Avortemina é aplicada quando os cortes são suturados ou, nos casos de traumas, quando aplicado até 48 horas após o ferimento.
A técnica é somente cosmética, eficiente na pele, não evitando a formação de cicatrizes nos órgãos internos.
Para as pessoas que têm uma predisposição genética para apresentar quelóides a Avortemina pode suavizar muito a aparência da cicatriz, em outros casos, o medicamento as torna quase imperceptíveis, disse Ferguson.
Contudo, o cirurgião plástico Rajiv Grover ressalta que apesar dos bons resultados apresentados pelo medicamento, as cicatrizes que precisarão ser tratadas normalmente são maiores do que as de um centímetro tratadas nos testes.

